Três tipos de livro
Um manual, um livro de teoria e um romance. De cada um, a IA tira uma coisa diferente.
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Ele pode trabalhar com um livro: responder a partir dele e aplicar o que ele ensina. Pense num livro que você gostaria de dar a ele.
O desenho mostra quatro livros, cortados em trechos de uns dois parágrafos. Cada retângulo é um trecho. Há um manual pouco conhecido, um livro de método famoso, um de teoria e um romance.
Um livro de método ensina a fazer: passos, regras, números. Um manual de vendas é assim, e um livro sobre como abrir uma empresa também. No desenho, os dois sobem para a mesma prateleira.
Desse tipo de livro, um modelo de IA pode tirar um guia. O guia é um texto curto de instruções, escrito pelo modelo a partir do livro. Nas tarefas seguintes, o modelo abre o guia e segue o que está nele.
Mas nem todo livro ensina a fazer. Um livro de teoria ensina a olhar. Ele não vira passo a passo. O que ele dá são conceitos para enxergar um caso de outro jeito.
É como quem aprende a ver uma cidade com os olhos de um urbanista. Muda o olhar, não as mãos. Desse livro, o modelo de IA também escreve um guia, mas um guia que ensina a olhar, uma lente.
Já um romance não ensina procedimento nem conceito para aplicar. Dele se pergunta muita coisa, do tema ao sentido de uma cena. E muitas perguntas são sobre a história: quem disse o quê, em que capítulo, com que objeto. Essas pedem um detalhe.
Um guia feito de um romance é no máximo um resumo, e o resumo deixa o detalhe de fora. Para o detalhe, o modelo vai melhor com o livro inteiro, junto da pergunta.
Para que serve um guia? Um estudo de 2026 examinou, um a um, casos de IAs usando guias. Em quase dois de cada três casos, o guia serviu de roteiro de passos: faça isto, depois aquilo. Em poucos casos, menos de um em vinte, ele trouxe um fato que faltava.
No desenho, os quadrados vermelhos são o roteiro. Roteiro de passos é o que um livro de método tem de sobra. Por isso esta página segue um livro de método.1
De onde veioO estudo é de agosto de 2026 e se chama, em inglês, Demystifying Agent Skills. Dos casos examinados um a um, 65,7% usaram o guia como roteiro de passos e 4,5% como fato que faltava. O resto se espalha por outros dez papéis. O que esta página chama de guia é o que, em inglês, se chama skill.1
Um livro e uma tarefa
Um manual que a IA nunca leu, uma pergunta de loja e seis jeitos de entregar o livro.
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Para ver como ele usa um livro, o FAROL, que faz este site, escolheu um para acompanhar esta página. É Marketing Sensorial, de Tatiana Benites, um manual curto, em espanhol, publicado pela própria autora. Ensina a usar os cinco sentidos para atrair clientes a uma loja.
No desenho, ele vem para o centro, e os outros três livros recuam para a borda.
O manual tem onze capítulos, as colunas do desenho. Quanto mais alta a coluna, mais trechos de uns dois parágrafos tem o capítulo. São umas 23 mil palavras, um livro fino.
O contador do desenho mede o livro em pedaços de palavra, como o modelo lê. Os pedaços não são sílabas. Palavra comum costuma ser um pedaço só, e palavra rara se quebra em dois ou três. Por isso o número do contador é maior que o de palavras.
Por que esse manual? Porque o modelo nunca o leu. No treino, o modelo leu uma montanha de texto. Livros famosos aparecem nessa montanha muitas vezes, citados e resumidos. No desenho, os três da borda ganham o selo “no treino”.
Um manual pouco lido como este não aparece. O que o modelo responder sobre ele terá de vir do livro, não do treino.
Agora a tarefa, a mesma do começo ao fim da página. Imagine um mercadinho de bairro em Fortaleza. Ele montou uma pilha de biscoitos em promoção, perfeitamente arrumada, a um metro da porta. Quase ninguém pega. O que mudar?
É essa a pergunta que o modelo de IA vai responder, de cinco jeitos diferentes. A planta do desenho mostra a loja e a pilha, e foi feita só para esta página, como exemplo.
O livro tem a resposta em cinco trechos. Quatro estão seguidos, no capítulo sobre a visão, e um está no do tato.
Resumindo o que ele diz: os três primeiros metros depois da porta passam despercebidos, porque o cliente ainda está entrando. A promoção vai para a ponta de uma gôndola, a prateleira comprida dos corredores. E uma pilha perfeita demais dá medo de mexer, então se desarruma um canto. Na planta do desenho, esse é o gabarito.2
O modelo tem uma pergunta, e o livro tem a resposta. Falta decidir como pôr o livro ao alcance do modelo. Há seis jeitos, e cada um ganha uma parte desta página.
O livro pode entrar nos números de que o modelo é feito. Pode ir inteiro, junto da pergunta. Pode virar fichas, uma rede de ligações, um guia de instruções ou arquivos numa estante.
O FAROL testou cinco dos seis jeitos. O mesmo modelo, pequeno e barato, fez doze tarefas de cada jeito. Duas outras IAs, os juízes, deram as notas sem saber de que jeito veio cada resposta.
A nota dois é aplicar o método com os passos certos. Um é acertar em parte. Zero é errar, ou responder que não dá para saber. Vale a média dos dois juízes. A rede, cara de montar, ficou fora do teste.2
De onde veioO teste é registro interno do FAROL, de 28 de outubro de 2026. O modelo que respondeu foi o gpt-5.6-luna, com esforço baixo. Os juízes foram dois modelos da Anthropic, o Haiku 5.5 e o Sonnet 5.5, que deram a mesma nota em 44 das 60 respostas deste livro. O livro tem 22.634 palavras, ou 29.336 tokens, contados com a ferramenta tiktoken. Tokens são os pedaços de palavra do contador, a medida em que um modelo conta o que lê: em média, 1,3 por palavra neste livro. Cortado em trechos, o livro dá 131.2
Nos pesos
Antes de receber um livro, o que a IA já traz por dentro?
O que ficou do treino
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Ele é feito de números, ajustados num treino em que leu uma montanha de texto. Esses números se chamam pesos, porque cada um pesa na escolha das palavras.
Dos seis jeitos de dar um livro a uma IA, este tenta pôr o livro nos pesos. Só que o que fica de um livro ali é pouco e incerto. De um livro pouco lido, fica quase nada.
O FAROL, que faz este site, testou um manual de vendas pouco conhecido, sobre usar os cinco sentidos numa loja. Sem dar o livro, pediu ao modelo doze tarefas de loja. Em quase todas, o modelo avisou que não tinha o texto. E deu o conselho de qualquer manual de varejo.
Duas outras IAs deram notas de zero a dois. Os doze quadrados do desenho são essas notas. A média foi 0,42 de 2, perto do zero.2
Uma tarefa: num mercadinho, quase ninguém pega uma pilha de biscoitos em promoção, arrumada demais, a um metro da porta. O manual manda tirá-la dos três primeiros metros, onde o cliente ainda não olha. E desarrumar um canto, porque pilha perfeita dá medo de mexer.
Sem o livro, a resposta não disse nada disso. Noutra tarefa, o modelo inventou quantos segundos o cliente leva para notar um produto. Em vermelho, os segundos dele, e em preto, os do livro.2
E se o livro fosse famoso? O FAROL repetiu o teste com The Lean Startup, de Eric Ries. É um livro famoso sobre como abrir uma empresa. Sem o livro, o modelo tirou 1,50 de 2, mais de três vezes a nota do manual pouco conhecido.
Algo do livro ficou nos pesos, de tanto que ele é citado e resumido. Mas é só uma parte, e sem garantia. Faltou escolher o procedimento certo, e a nota não chegou à máxima.3
Dá para treinar o modelo de IA mais um pouco, com exemplos tirados do livro? Dá, e isso mexe nos pesos. O nome disso é ajuste fino. Só que ele ensina bem um jeito de responder, um tom, e ensina mal os fatos novos. No desenho, do livro só passa a camada do estilo. Os trechos ficam de fora.
Em janeiro de 2027, a OpenAI, a empresa do ChatGPT, para de vender esse treino. Outros serviços seguem oferecendo.4
Em laboratório, há atalhos para pôr um texto dentro do modelo sem o treino longo. Um deles se chama cartucho, como o de videogame, que se encaixa pronto. O modelo lê o texto antes e guarda essa leitura num bloco. Depois usa o bloco, em vez de reler.
O bloco ocupa no computador quase quarenta vezes menos espaço que a leitura do texto inteiro. A qualidade das respostas é a mesma. No desenho, o cartucho é o quadrado cheio.5
Laboratório
Outro atalho de laboratório usa uma segunda IA. Ela lê o documento e devolve um pequeno ajuste nos pesos do modelo, sem treino.
Para medir, pede-se ao modelo que adivinhe a palavra seguinte do documento. Sem o ajuste, ele acerta 63 em cada cem, porque muita palavra se deduz da frase. Com o ajuste, 85. Mas adivinhar palavras não é aplicar um livro. Por enquanto, para aplicar um livro, o modelo precisa receber o texto.78
Laboratório
De onde veioO ajuste fino é o fine-tuning, e a versão leve dele é o LoRA. A OpenAI encerra o ajuste fino aberto ao público em 6 de janeiro de 2027. O cartucho é o Cartridges, de Stanford, 2025, em laboratório: 38,6 vezes menos memória com a mesma qualidade. Numa comparação de setembro de 2026 entre jeitos de pôr um texto dentro do modelo, foi o que chegou mais perto de ler o texto inteiro, e também o que mais fez o modelo esquecer outras coisas. O ajuste gerado na hora, um adaptador, é o Doc-to-LoRA, da Sakana AI, empresa japonesa de pesquisa, 2026, em laboratório. Os números, 84,9% contra 63,4%, vêm do Internalizer, um método do mesmo tipo, de outubro de 2026, medido num modelo de 284 bilhões de pesos com documentos de até 4 mil tokens, um sétimo deste livro. Os dois só funcionam em modelos abertos, cujos pesos qualquer pessoa pode baixar.45678
Na mesa
O jeito mais direto: o livro inteiro vai junto da pergunta. A IA acerta? E quanto custa?
O livro inteiro
Quem escreve as respostas num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Ele pode receber um livro de seis jeitos, e este é o mais direto. Tudo o que o modelo lê de uma vez, antes de responder, é a mesa dele. Ali estão a sua pergunta e o que vai junto.
Quem tem um livro aberto na mesa consulta o que quiser. Aqui, o livro inteiro vai para a mesa, junto da pergunta.
Cabe? Cabe com folga. O FAROL, que faz este site, testou um manual de vendas fino, sobre usar os cinco sentidos numa loja. Na mesa dos maiores modelos de 2026, caberiam 34 livros como ele, enfileirados. Ou dez como The Lean Startup, de Eric Ries, um livro de método famoso, mais de três vezes maior.
A régua do desenho mostra a fila. Um livro só ocupa um canto da mesa.923
No teste, o modelo fez doze tarefas de loja, com o manual inteiro na mesa. Duas outras IAs corrigiram, com notas de zero a dois. O modelo tirou dois em todas.
Numa delas, quase ninguém pegava uma pilha de biscoitos em promoção, a um metro da porta de um mercadinho. A resposta seguiu o livro. Mandou tirar a pilha dos três primeiros metros, onde o cliente ainda não olha. E desarrumar um canto, porque pilha perfeita dá medo de mexer.2
Quem tem um livro aberto marca a página e volta. O modelo relê o livro inteiro a cada pergunta.
Isso pesa para quem põe o modelo para trabalhar num programa próprio, como uma empresa ou um programador. Quem faz isso paga pelo texto lido, como cópia por página. Mas o começo do texto pode ficar guardado por alguns minutos. Com o livro antes da pergunta, é ele que fica guardado. A releitura seguinte sai por um décimo do preço.210
Ler tudo não é prestar atenção em tudo. Num texto comprido, o que fica no meio é o que o modelo de IA mais deixa passar. No desenho, o meio da faixa esmaece.
O FAROL repetiu o teste com três livros maiores, de quase três a três vezes e meia o manual. Em nenhum deles a mesa chegou à nota máxima, e a nota não diz o motivo. No maior, um romance que pedia detalhe, ficou em 1,50 de 2.231920
De onde veioPôr um livro inteiro na mesa se chama contexto longo, em inglês long context, e a mesa é a janela de contexto. Nos maiores modelos de 2026 ela tem 1 milhão de tokens, os pedaços de palavra em que o modelo mede o que lê. Este manual tem 29 mil tokens, e o livro de Ries, 97 mil. O desconto da releitura é o cache de prompt, que guarda o começo do pedido, e por isso o livro vem antes da pergunta. A leitura guardada custa de 5% a 10% do preço de entrada, conforme o modelo. O teste usou o modelo por um programa, pagando por token. As notas da mesa nos quatro livros: manual de Benites 2,00, livro de Latour 1,88, livro de Ries 1,75, Dom Casmurro 1,50.910231920
No fichário
Em vez do livro inteiro, só os cinco trechos mais parecidos com a pergunta. Será que dá conta?
Busca por semelhança
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Existem seis jeitos de pôr um livro para ele usar. Este lembra o fichário de uma biblioteca, com uma ficha para cada trecho.
O livro, aqui um manual de vendas sobre os cinco sentidos, é cortado em trechos de dois parágrafos. A cada pergunta, o modelo recebe só as cinco fichas mais parecidas com ela. Mas o que é parecido, para uma máquina?11
Parecido, aqui, é estar perto num mapa. Cada ficha vira um ponto num mapa de significado. Fichas que falam de coisas parecidas ficam perto, como casas do mesmo bairro. No desenho, os capítulos do manual viram bairros: visão, audição, paladar, olfato, tato.
A pergunta também vira um ponto, o vermelho. A busca pega as cinco fichas mais perto dele. Toque numa ficha e veja as vizinhas acenderem.
O FAROL, que faz este site, testou o fichário com tarefas de loja. Numa delas, um mercadinho em Fortaleza tem uma pilha de biscoitos em promoção, perfeitamente arrumada, a um metro da porta. Quase ninguém pega. O que mudar?
As cinco fichas mais perto dessa pergunta vieram de quatro capítulos: paladar, planejamento, visão e tato. No desenho, elas sobem para uma mesinha. Parece uma boa colheita. Mas parecer com a pergunta não é responder a ela.2
A resposta do livro está em cinco trechos. Quatro seguidos, sobre a visão, e um sobre o tato.
No desenho, o livro volta à ordem dos capítulos. Em vermelho, as cinco fichas que a busca trouxe. Com contorno preto, as cinco da resposta. Só uma ficha tem as duas marcas. A que explica por que ninguém olha para os três primeiros metros depois da porta ficou de fora.2
Com uma só das cinco fichas certas, o modelo de IA não resolveu. Respondeu que, com aquele material, não dava para dizer que a distância da porta fosse o problema. Não inventou, mas também não resolveu. Na planta do desenho, a pilha continua no lugar, com um ponto de interrogação em cima.
Duas outras IAs, os juízes, deram as notas, de zero a dois. Uma deu zero, a outra deu um.2
Por que o fichário tropeça justamente num livro de método? Porque um método é um caminho, e o caminho atravessa fichas e capítulos. A busca traz só pedaços do caminho.
Nas quatro tarefas que pediam para aplicar um procedimento, o fichário tirou 0,62 de 2. O livro inteiro, dado ao modelo junto da pergunta, tirou a nota máxima nas mesmas quatro. As duas fileiras do desenho mostram os quadrados claros e os pretos, lado a lado.2
Então o fichário não serve? Serve, no lugar certo. A busca acha o que se parece com a pergunta, não o que responde a ela. Isso dá conta quando a resposta cabe numa ficha só, como uma data ou um nome.
E serve quando são milhares de documentos, tantos que ninguém, nem o modelo, leria todos. No desenho, a gaveta vira muitas gavetas, e uma ficha solitária acende. Para esse monte de texto, achar o parecido já é meio caminho.12
Dá para melhorar a busca com três ajustes. Procurar também a palavra exata, e não só o sentido parecido. Fazer uma segunda triagem do que veio. E anotar em cada ficha de onde ela vem no livro, a etiqueta do desenho.
A Anthropic, empresa que faz um desses modelos, testou os três juntos, com documentos dela. A ficha certa passou a ficar de fora três vezes menos. O fichário do FAROL era o simples, sem esses ajustes.13
Uso inicial
De onde veioA busca por semelhança é conhecida pela sigla RAG, retrieval-augmented generation, de um artigo de 2020. Os três ajustes são a busca por palavra exata, o reranking, que é a segunda triagem, e a busca com contexto, Contextual Retrieval, da Anthropic, 2024, em uso inicial em sistemas de busca desde então. No teste da Anthropic, as falhas caíram de 5,7% para 1,9%, de 57 em mil buscas para 19, 67% a menos. No teste do FAROL, o fichário tirou 1,12 nas doze tarefas, pouco mais da metade da mesa, e 0,62 nas quatro tarefas de aplicar um procedimento, contra 2,00 da mesa.1112132
Na rede
Um fichário guarda trechos soltos. Uma rede guarda quem se liga a quem dentro do livro.
Rede de ligações
Um modelo de IA é o programa por trás de um chat como o ChatGPT. Ele pode usar um livro de seis jeitos. Neste, o livro vira uma rede de ligações, como uma árvore da família. O modelo lê o livro uma vez e anota quem se liga a quem.
Num romance, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, a rede se vê melhor. No desenho, cada ponto é uma personagem. Duas se ligam quando aparecem nos mesmos trechos.14
O que a rede mostra? Quem está no centro da história. Capitu aparece em 179 trechos, e o ponto dela é o maior.
Mas a rede só vê o que está escrito. Bentinho, o narrador, aparece em bem menos trechos, porque quase sempre ele é só “eu”. No desenho, o anel em volta do ponto dele mostra o tamanho que teria se cada “eu” contasse. Uma rede feita de nomes esquece quem narra.14
A Microsoft, a empresa do Windows, criou um método que monta a rede. Ele junta os pontos mais ligados em grupos e resume cada grupo. Com esses resumos, o modelo responde melhor às perguntas sobre o livro inteiro, como os temas. Nessas perguntas, vai melhor que um fichário de trechos soltos.
O caro é montar a rede, porque o modelo lê o livro todo.15
Outra ideia parecida são os resumos em camadas, como uma pirâmide. Na base ficam os trechos do livro. Eles são agrupados e resumidos. Depois, os resumos são agrupados e resumidos de novo, até sobrar um só, no topo.
Assim, o detalhe fica na base, e a visão de conjunto, no topo. Num teste de perguntas sobre textos longos, a pirâmide bateu o recorde anterior por vinte acertos em cada cem.16
Uso inicial
O FAROL, que faz este site, testou cinco dos seis jeitos com um manual de vendas. O manual ensina a usar os cinco sentidos numa loja. Numa rede dele, os pontos seriam ideias, como o olfato, uma técnica ou um número.
A rede ficou fora do teste, porque é cara de montar. No desenho, ela aparece tracejada.
De onde veioA rede é um grafo de conhecimento. A contagem de Dom Casmurro usa a edição de 1899 do Projeto Gutenberg: Capitu em 179 trechos, Bentinho em 48, somando Bento, Bentinho e Dom Casmurro. O método da Microsoft é o GraphRAG, de 2024, com código aberto, em uso inicial. Os resumos em camadas são o RAPTOR, de 2024, que o artigo desenha como árvore, também com código aberto, em uso inicial: 20 pontos percentuais a mais no teste QuALITY, com o GPT-4.141516
No guia
E se a IA lesse o livro uma vez e escrevesse um guia para usar depois?
Um modelo de IA é o programa que responde num chat como o ChatGPT. Quem já montou um móvel não relê o manual inteiro na segunda vez. Guarda um papel com os passos. Dos seis jeitos de o modelo usar um livro, este é o do papel.
O modelo lê o livro uma vez, escreve um guia e consulta o guia no lugar do livro. O FAROL, que faz este site, usa esse jeito com livros que ensinam a fazer.
O guia desta parte saiu de um manual de vendas, que ensina a usar os cinco sentidos numa loja. É uma pasta com dezoito arquivos. Juntos, eles têm um quarto das palavras do livro. No desenho, cada lombada é um arquivo.
O modelo lê sempre o arquivo principal, em vermelho. Ele diz quando usar o guia e aponta para os outros. Os outros trazem os procedimentos em passos, as regras de decisão e um resumo de cada capítulo.2
O modelo não lê a pasta inteira. Começa pelo arquivo principal e abre o resto só quando a tarefa pede. Para abrir, escreve um pedido de leitura, o bilhete do desenho. Um programa comum, que fica entre o modelo e a pasta, entrega os arquivos.
O FAROL testou o guia com doze tarefas de loja. Em cada uma, o modelo fez um pedido só, que abria de uma vez os arquivos necessários.2
Uma tarefa: num mercadinho, quase ninguém pega a pilha de biscoitos em promoção, arrumada demais, a um metro da porta. O modelo abriu os arquivos do guia sobre visão, tato e planejamento. Leu quase seis vezes menos texto que o livro inteiro.
E acertou o que o livro diz. Mandou tirar a pilha dos três primeiros metros, onde o cliente ainda não olha. E desarrumar um canto, porque pilha perfeita dá medo de mexer.2
Mas o guia perde alguma coisa. Nas doze tarefas, duas outras IAs deram notas de zero a dois. O guia tirou 1,75. O livro inteiro, mandado junto da pergunta, tirou a nota máxima.
O que faltou foi detalhe: um número, uma exceção, um item. Às vezes o guia não guardava o detalhe. Às vezes guardava, e o modelo não usou. Numa degustação de queijo, a resposta esqueceu a prova às cegas, que estava num arquivo aberto.2
Num livro longo, o guia poupa ainda mais leitura. The Lean Startup, de Eric Ries, ensina a abrir uma empresa. Tem 85 mil palavras, quase quatro vezes o manual de vendas. O arquivo principal do guia dele, o que o modelo abre primeiro, tem mil e quinhentas.
O modelo ainda abre outros arquivos do guia quando a tarefa pede. Mesmo assim, por tarefa, leu mais de dez vezes menos texto que o livro inteiro.17
Um guia escrito por um modelo de IA pode trazer coisa que não está no livro. Por isso, antes de entrar na biblioteca do FAROL, um programa confere o guia.
No desenho, cada linha do guia tem um fio até a coluna do livro de onde veio. Uma linha sem fio fica vermelha, e o carimbo “conferido” não desce. O carimbo garante que citações e números estão no livro. Não garante que o resto do guia esteja certo.17
Quanto mais guias na prateleira, mais difícil achar o certo. Pense numa estante com cinco cadernos de receita, e outra com cem. É o próprio modelo quem escolhe qual guia abrir.
Um estudo de 2026 contou essas escolhas. Com cinco guias à mão, o modelo abriu o certo em três de cada dez vezes. Com cem guias, em uma de cada trinta. No desenho, o guia certo está em vermelho.1
De onde veioGuia é o que, em inglês, se chama skill. O guia do manual de Benites tem 18 arquivos e 5.585 palavras, um quarto das 22.634 do livro. O arquivo principal, o SKILL.md, tem 788 palavras. Nas doze tarefas, o pedido de leitura abriu sempre os procedimentos, quase sempre as regras de decisão e às vezes o resumo de um capítulo. No mercadinho, o modelo leu 5 mil tokens do guia contra 29 mil da mesa. Nas doze tarefas, guia 1,75 e mesa 2,00. O livro de Ries tem 85.419 palavras, e o arquivo principal do guia dele, 1.495; por tarefa, o guia leu 8,4 mil tokens contra 97 mil da mesa. A biblioteca de guias e o programa que a confere são do FAROL, o scriptorium. O estudo é o Demystifying Agent Skills, de agosto de 2026: com 5 guias, 29,6% dos usados eram os certos; com 100, 3,3%.2171
Na estante
O livro fica numa estante, em arquivos, e a IA vai lá buscar o que precisa.
O modelo procura no livro
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Há seis jeitos de dar um livro a ele. Neste, o livro fica numa estante de arquivos no computador, um arquivo por capítulo. O modelo pode listar os arquivos, abrir um e procurar palavras.
É como procurar uma receita num caderno antigo. Você folheia, acha uma pista, abre a página, decide se é aquela, procura de novo. O modelo faz esse vaivém sozinho.
O FAROL, que faz este site, testou a estante com um manual de vendas. Numa tarefa de mercadinho, quase ninguém pegava uma pilha de biscoitos arrumada demais, a um metro da porta. O livro responde em cinco trechos. O cliente não olha os três primeiros metros, e pilha perfeita dá medo de mexer.
O modelo procurou palavras como porta e entrada, leu mais da metade do livro e acertou. No desenho, a busca acende boa parte dele.2
Mas procurar custa. O modelo não guarda nada de um pedido para o outro. Por isso, a cada arquivo pedido, o programa que o faz trabalhar reenvia tudo o que já foi lido.
Num chat como o ChatGPT, o programa reenvia a conversa do mesmo jeito, e por isso o modelo parece lembrar. Uma empresa que põe o modelo num programa próprio paga por todo esse texto. Numa das tarefas, a conta passou do dobro de mandar o livro inteiro.2
Em troca, o modelo acerta muito. Ele abre o trecho como está no livro e acha o detalhe exato. E lê o arquivo como está hoje, o que serve para material que muda, como uma tabela de preços.
O custo muda muito de tarefa para tarefa. Na mais leve, o modelo leu um quinto do livro. Na mais pesada, somando buscas e capítulos abertos, leu mais que o livro inteiro.2
Em laboratório, essa ideia vai mais longe. Todo modelo tem um limite do que lê de uma vez. Aqui, o texto fica num arquivo, e o modelo não o lê inteiro. Ele escreve ordens curtas para procurar ali, como “ache as linhas com a palavra porta”.
Cada trecho achado vai para uma cópia do próprio modelo. A cópia lê só aquele trecho e devolve uma linha. Assim, o modelo dá conta de um texto cem vezes maior que o limite.18
Laboratório
De onde veioEsse jeito se chama busca agêntica, agentic search. As três ferramentas e o vaivém de procurar, ler e decidir são os do capítulo sobre agentes deste site. No mercadinho o modelo leu 16 mil tokens, mais da metade dos 29 mil do livro, e tirou 2. Nas doze tarefas leu em média 62% do livro e tirou 1,79, empate com o guia. No plano completo de uma loja abriu os onze capítulos e leu 33 mil tokens, mais que o livro, e tudo o que entrou no modelo, com o reenvio e as instruções do programa, foram 100.643 tokens, contra 42.350 da mesa. As leituras por tarefa foram de 6 mil a 35 mil tokens. O modelo recursivo é o RLM, Recursive Language Model, de 2025, em laboratório, com código aberto, o rlms, e dá conta de entradas até cem vezes maiores que a janela.218
Teoria e ficção
Um livro de teoria e um romance pedem jeitos diferentes de dar o livro à IA.
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. O FAROL, que faz este site, testou cinco jeitos de dar ao modelo Jamais fomos modernos, de Bruno Latour. É um livro de teoria, que ensina a olhar um caso com os conceitos do autor.
O melhor jeito foi o guia, um texto curto que o modelo escreve depois de ler o livro. Duas outras IAs deram as notas, e o guia tirou 1,96 de 2.19
Nesse livro, até o fichário foi bem em parte. O fichário corta o livro em fichas e dá ao modelo só as cinco mais parecidas com a pergunta.
Quando a tarefa era olhar um caso com os conceitos do autor, acertou tudo. Num fato pontual, acertou metade. É que o livro repete o mesmo argumento do começo ao fim. Quase qualquer ficha traz esses conceitos. O fato pontual, não.19
Num romance, muitas perguntas são sobre a história. A resposta mora no detalhe: quem fez o quê, com que objeto. O FAROL testou Dom Casmurro, de Machado de Assis, com doze perguntas assim.
O guia tirou 1,08 de 2. O livro inteiro, dado ao modelo junto da pergunta, tirou quase meio ponto a mais. O guia resume, e o resumo deixa o detalhe de fora.20
Mas o resumo guarda o enredo. Nas perguntas que ligam partes distantes do livro, o guia foi o melhor dos cinco jeitos testados. No desenho, os fios do guia ligam dois capítulos longe um do outro.
No detalhe, falhou. Perguntado com que Capitu riscou os nomes no muro, o modelo de IA respondeu que o guia não dizia. Era um prego, num trecho que o guia deixou de fora. No desenho, a ficha do prego acende fora do guia.20
E sem livro nenhum? O modelo de IA respondeu que Capitu riscou o muro com um pedaço de carvão. Errado, e dito com a mesma segurança com que ele acertava outras perguntas. O modelo leu o romance no treino e, onde falta o detalhe, preenche com o que parece provável.
O guia, ao menos, respondeu que não tinha a informação.20
No romance, o fichário também tropeça. Tome a pergunta “Capitu traiu Bentinho?”. O livro deixa a dúvida em aberto. Mas alguns capítulos pesam nela, como “A photographia”, em que Bentinho vê o rosto de Escobar no filho.
Para o fichário, ficha do mesmo assunto da pergunta fica perto dela, como num mapa. Esse capítulo fala de um rosto parecido, não de traição, e ficou longe. Na fila das 381 fichas, ficou em 305º. Só as cinco primeiras chegam ao modelo.14
De onde veioO livro de Latour foi lido na tradução inglesa, We Have Never Been Modern, de 1993. Nele o guia tirou 1,96, e o fichário 2,00 nas quatro tarefas de enquadrar um caso, 1,25 nas quatro sobre um conceito e 1,00 nas quatro de detalhe. Em Dom Casmurro, doze perguntas de fato e de enredo: guia 1,08, livro inteiro na mesa 1,50. O prego está no capítulo XIV. O mapa de significado de Dom Casmurro foi feito para esta página com o modelo paraphrase-multilingual-MiniLM-L12-v2, a partir da edição de 1899 do Projeto Gutenberg, e “A photographia” ficou em 305º de 381. O trecho desse capítulo, o CXXXIX, não tem a palavra trair nem traição.192014
O teste
Os quatro livros no mesmo teste. O que vale para todos, e o que depende do livro?
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. O FAROL, que faz este site, testou quatro livros com um deles. Um manual de vendas pouco conhecido, um livro de método famoso, um de teoria e um romance. Cada um foi entregue de cinco jeitos, em doze tarefas. Duas outras IAs deram as notas às cegas, de zero a dois.
No desenho, um painel por livro, uma fileira por jeito, um quadrado por resposta.231920
Sem livro, o modelo responde com o que ficou do treino, quando leu uma montanha de texto. Livro famoso aparece muito nesse texto, citado e resumido. Por isso, sem livro, a nota depende da fama. No livro de método famoso e no de teoria, o modelo tirou 1,50 e 1,67. No manual pouco conhecido, menos de meio ponto.
No romance, também famoso, ficou em menos de um ponto, porque as perguntas pediam detalhe.
No manual pouco conhecido, que não estava no treino, todo jeito de dar o livro ajudou. Com só os cinco trechos mais parecidos com a pergunta, o fichário, passou de um ponto. Com o livro inteiro junto da pergunta, chegou à nota máxima. Com um guia escrito pelo modelo, ou com o livro em arquivos para ele procurar, ficou perto.
Um documento da sua empresa também não está no treino. Para esses, dar o livro faz a diferença.
O guia é o texto curto que o modelo escreve depois de ler o livro uma vez. Nos três que não são romance, chegou perto do livro inteiro. No de método famoso e no de teoria, empatou. No manual, ficou pouco atrás.
E leu de oito a doze vezes menos texto. Isso pesa para uma empresa ou um programador que põe o modelo num programa próprio, porque paga pelo texto lido.
O fichário foi o mais fraco dos jeitos que dão o livro, nos quatro livros. Nos três famosos, nestas perguntas, ficou atrás de não dar livro nenhum.
As fichas não bastavam. O modelo respondia, muitas vezes, que o material não permitia concluir. Sem livro, respondia com o que trazia do treino, e acertava mais.
No romance, o guia perdeu para o livro inteiro: 1,08 contra 1,50. O guia resume, e as perguntas sobre uma história pedem o detalhe que o resumo tira.
Para um romance, o melhor é mandar o livro inteiro, junto da pergunta. O guia, ali, serve só de resumo.
O preço vai além do texto lido. Cada arquivo aberto é um pedido do modelo a um programa. Todo pedido leva as mesmas instruções do programa e, de novo, tudo o que já foi lido. Num chat, a conversa também vai inteira a cada mensagem.
O livro inteiro vai num pedido só. O guia precisa de mais de um. No manual curto, a economia do guia quase some. Nos longos, o livro inteiro custou umas três vezes o guia.
O que se repete nos quatro livros? O guia serve a método e a teoria. O romance pede o livro inteiro. O fichário fica atrás. Foi uma rodada só, com um modelo de IA pequeno, doze tarefas por livro e juízes automáticos. Indica, não prova. Diferença de um décimo de ponto é empate.
Um modelo maior talvez lesse melhor os livros longos, mas isso não foi medido.
De onde veioNotas sem livro: Ries 1,50, Latour 1,67, Benites 0,42, Dom Casmurro 0,88. No manual de Benites, fichário 1,12, mesa 2,00, guia 1,75 e estante 1,79. Guia contra mesa: Ries 1,83 contra 1,75, Latour 1,96 contra 1,88, Benites 1,75 contra 2,00. O guia leu por tarefa 3,8, 8,4 e 7,7 mil tokens, contra 29, 97 e 81 mil da mesa. O programa do teste, o Codex, punha cerca de 13 mil tokens de instruções fixas em cada pedido, quase meio livro como o de Benites. Contando tudo o que entrou, a mesa custou o guia vezes 1,3 em Benites, 3,3 em Ries, 2,7 em Latour e 7,1 em Dom Casmurro, onde o guia era um arquivo só. Os juízes foram o Haiku 5.5 e o Sonnet 5.5. O modelo que respondeu foi o gpt-5.6-luna.231920
Quanto custa um guia
Um guia de instruções, escrito pela IA a partir de um livro, tem um preço. Quanto, e quando compensa?
Quem responde num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Um modelo pode ler um livro uma vez e escrever um guia, um texto curto de instruções. Depois, abre o guia no lugar do livro.
Escrever o guia custa uma leitura do livro inteiro. Em outubro de 2026, o FAROL, que faz este site, mediu quanto. Fez guias de três livros, um técnico, um de filosofia e um de negócios, com dez modelos.21
Há dois jeitos de fazer o guia. No primeiro, o modelo recebe o livro e se vira por conta própria. Decide o que ler e quando terminou. No segundo, um programa comum entrega um capítulo por vez, pede um texto de cada e confere. O modelo só escreve.
Aqui, os dois se chamam “por conta própria” e “capítulo por capítulo”.21
Como saber qual guia ficou bom? Outras IAs deram nota a cada guia, sem saber qual modelo o tinha feito. Olharam cinco coisas. Fidelidade ao livro, utilidade para quem vai usá-lo, todos os capítulos cobertos, nomes exatos e nada inventado.
A nota vai de zero a dez, no eixo de pé do desenho.
O preço está em reais por livro, no eixo deitado do desenho. A conta é pela assinatura: o preço do mês dividido pelos guias que a assinatura aguenta fazer no mês. Com a assinatura de equipe do Claude, um chat como o ChatGPT, dão uns quinhentos guias por mês.
A escala do eixo é esticada de um jeito especial. Cada marca vale dez vezes a anterior. Assim cabem no desenho os centavos e as dezenas de reais.21
O melhor guia saiu do maior modelo do Claude, capítulo por capítulo. Nota 9,8 em dez, a dezesseis centavos por livro. Menos que um pão. É o ponto vermelho do desenho.
O mesmo modelo, por conta própria, fez um guia com meio ponto a menos, pela metade do preço. É o ponto preto, ligado ao vermelho por um traço.21
O modelo médio do Claude, por conta própria, fez um guia de nota 8,9 por seis centavos. Foi o mais barato entre os guias com nota de oito e meio para cima.
O menor modelo, capítulo por capítulo, custa menos de um centavo por livro. Mas a nota cai para pouco mais de sete e meio. E cai mais no livro de filosofia.21
E fora do Claude? A OpenAI, a empresa que criou o ChatGPT, tem outro modelo de IA, feito para programar computadores. Capítulo por capítulo, ele fez um guia quase tão bom quanto o melhor, nota 9,5. Custou até quarenta e cinco centavos, quase o triplo.
Os modelos grátis fizeram guias desiguais, com notas de pouco mais de três a sete. E param de responder sem aviso quando o uso pesa. No desenho, ficam numa faixa tracejada sobre o zero, “imprevisível”.21
Esses preços em centavos valem para quem usa a assinatura até o limite do mês. Nessa conta, entre guias de nota parecida, o mais barato saiu da assinatura de equipe do Claude. Os grátis ficam de fora, porque não servem para centenas de guias.
Só que a assinatura cobra o mês, não o guia. Quem faz poucos guias paga o mesmo valor, e cada guia sai mais caro.21
Quem não assina paga por uso, pelo texto que o modelo lê e escreve. Ao preço de tabela, o mesmo guia do maior modelo, capítulo por capítulo, custaria cerca de 34 reais. Mais de duzentas vezes os dezesseis centavos da assinatura.
O guia do modelo médio, por conta própria, sairia por uns doze reais. O caminho mais barato depende de quantos guias você vai fazer.21
Quando o guia compensa? Sem guia, cada pergunta custa uma leitura do livro inteiro. Fazer o guia custa ao menos uma leitura.
Num livro longo, cada pergunta pelo guia custou um terço de leitura e poupou dois terços. Na segunda pergunta, o guia já se pagou. Um guia que custasse dez leituras se pagaria na décima quinta. Num livro curto, cada pergunta pelo guia custou pouco mais de três quartos de leitura. O guia só se paga na quinta pergunta.32
O FAROL tem cerca de sete mil obras para transformar em guia. Cada lombada da parede do desenho é uma obra. Pelo maior modelo do Claude, capítulo por capítulo, isso cabe em treze meses da assinatura de equipe.
São cerca de 1.100 reais no total. Treze meses de assinatura para sete mil guias.2117
De onde veioO benchmark é do FAROL, de 27 e 28 de outubro de 2026: três livros, um manual técnico de aprendizado de máquina, de Burkov, Jamais fomos modernos, de Latour, e um de estratégia de negócios, de Ghemawat, com juízes às cegas, custo medido em cota de assinatura e dólar pela PTAX do dia. Os dois jeitos que a página chama de “por conta própria” e “capítulo por capítulo” são os que o registro do benchmark chama de sozinha e por programa. Pela assinatura Team do Claude, o Opus 5.5 capítulo por capítulo faz 527 guias por mês. Os pontos do gráfico: Opus 5.5 capítulo por capítulo 9,8 a R$ 0,16 e por conta própria 9,3 a R$ 0,08. Sonnet 5.5 por conta própria 8,9 a R$ 0,06. Haiku 5.5 capítulo por capítulo 7,6 por menos de um centavo. Codex, da OpenAI, com o modelo gpt-6.1-sol, capítulo por capítulo 9,5 a até R$ 0,45. Grátis de 3,7 a 7,1. Por uso, ao preço de tabela, Opus capítulo por capítulo cerca de R$ 34 e Sonnet por conta própria cerca de R$ 12. No livro de Ries, mesa 109.825 e guia 33.780 tokens por tarefa, contando tudo o que entrou: cada pergunta pelo guia, um terço de leitura. No de Benites, a mesa custou o guia vezes 1,3, também contando tudo, e cada pergunta pelo guia custou pouco mais de três quartos de leitura. As 7.191 obras do FAROL em 27 de outubro cabem em 13 meses de Team, R$ 1.100.211732
Qual usar
Seis jeitos de dar um livro a uma IA, e uma regra para escolher entre eles.
Há seis jeitos de entregar um livro a uma IA. Esta regra escolhe entre três deles. Desça a lista e pare na primeira linha que servir.
- Romance? Mande o livro inteiro junto de cada pergunta.
- Precisa do detalhe exato, ou o texto muda com o tempo? Deixe o livro em arquivos, para a IA procurar.
- Livro que ensina, longo e muito consultado? Peça à IA um guia de instruções.
- Nenhum desses? Mande o livro inteiro.
O FAROL, que faz este site, testou um manual de vendas curto. Pela regra, ele vai inteiro junto da pergunta, e foi assim que a IA acertou tudo.
O acervo do FAROL é outro caso, com sete mil obras, quase todas longas e muito consultadas. Por isso o FAROL faz guias delas. E guarda cada livro em arquivos, para buscar o detalhe quando precisa.17
A regra deixa de fora três jeitos, de uso mais estreito. Com milhares de documentos, ninguém lê tudo. Aí vale cortar tudo em fichas e dar à IA só as que falam de coisas parecidas com a pergunta. Funciona se a resposta cabe numa ficha.
Para perguntas sobre o livro todo, como os temas, ajuda uma rede que mostra como as ideias dele se ligam. Já treinar a IA com o livro ensina um jeito de responder, mais que fatos.12
O desenho deixa você pôr a regra à prova. Ele faz as quatro perguntas dela. Que tipo de livro é, se é longo, se vai ser consultado muitas vezes e se pede o detalhe exato. Responda, e ele acende o jeito escolhido.
Sobre “longo”, uma ressalva. No teste, o livro curto tinha umas 23 mil palavras, e o menor dos longos, quase três vezes isso. O limite exato não foi medido.
De onde veioA regra e o seletor seguem a ordem da decisão. Ficção vai à mesa. Senão, detalhe exato ou material que muda vai à estante. Senão, livro longo e consultado muitas vezes vai ao guia. Senão, mesa. Na regra da página, “livro que ensina” é o livro de método ou de teoria. No teste, o livro curto tinha 29 mil tokens e o menor dos longos, 81 mil. O FAROL tinha 7.191 obras em 27 de outubro de 2026.1712
- Na mesa
- Converta o livro em texto, com um programa como o docling ou o marker, e mande junto da pergunta, com o livro antes dela. Ligue o cache de prompt: da segunda pergunta em diante, a releitura sai bem mais barata.2210
- No fichário
- Corte em trechos de 300 a 800 tokens, guardando capítulo e página. Transforme cada trecho num ponto do mapa de significado, com o sentence-transformers ou uma API, e guarde num índice como pgvector, Qdrant ou Chroma. Acrescente a busca pela palavra exata e uma segunda triagem.23
- Na rede
- GraphRAG, da Microsoft:
pip install graphrag, depoisgraphrag indexegraphrag query. Comece com um livro só, porque montar a rede é caro.15 - Nos pesos
- Para ensinar um jeito de responder, um ajuste fino leve, o LoRA, num modelo aberto, em serviços como Together AI ou Tinker. Para ensinar fatos, prefira os outros lugares.24
- Na estante
- Um arquivo por capítulo numa pasta e um agente com ferramentas de busca, como Claude Code ou Codex. Ou o rlms, de código aberto, que deixa o modelo programar a própria leitura.18
Como fazer um guia
O caminho vai do arquivo do livro até a IA abrir o guia na hora certa.
Quem escreve as respostas num chat como o ChatGPT é um programa chamado modelo de IA. Com um livro, ele pode escrever um guia, um texto curto de instruções. Tudo começa no arquivo do livro, que precisa sair legível e ser a obra certa.
No acervo do FAROL, que faz este site, um PDF de The Lean Startup saiu embaralhado, sem nenhum “startup”. Outro arquivo trazia o título de um livro e o texto de outro.1722
Um PDF guarda as páginas do jeito que aparecem na tela. Para o modelo, é melhor tirar dele só o texto, com um programa conversor. Salve um arquivo de texto por capítulo e anote a página de onde veio cada trecho.
O modelo vai ler o livro assim, um capítulo de cada vez.22
Agora a escrita. O FAROL comparou guias feitos de dois jeitos, e o melhor saiu capítulo por capítulo. Um programa comum entrega ao modelo um capítulo de cada vez. O modelo devolve um resumo daquele capítulo.
Com os resumos prontos, o modelo escreve os procedimentos em passos e as regras de decisão. Por último, escreve o arquivo principal, a porta de entrada do guia. No desenho, a lombada vermelha sai por último.2117
O arquivo principal é curto, de poucas páginas. Ele diz quando usar o guia nas palavras de quem tem o problema. Num livro sobre o que fazer primeiro, seria “tenho quarenta pedidos de melhoria e não sei por onde começar”. E não “onde o livro fala de prioridade”.
Cada procedimento tem sete campos. Quando usar, o que precisa para começar, os passos e o que fica pronto. Quando parar, os sinais de erro e o capítulo de onde veio.1725
No FAROL, um programa confere cada guia contra o arquivo do livro. Mas o arquivo pode vir errado.
Um livro do médico Atul Gawande ganhou um resumo de outra pessoa. O erro está no resumo, não no livro. O resumo diz que as mortes caíram “de 435 para 277”. Esses números não estão no estudo. Lá, morria um e meio em cada cem operados, e depois, menos de um. Com o resumo no lugar do livro, o erro passa.17
Depois, teste o guia. Dê ao modelo as mesmas tarefas com e sem ele, e compare os acertos. Num teste com 87 tarefas, guias bem feitos levaram o acerto de um terço para metade.
Mas guia ruim atrapalha. Um conjunto de guias que qualquer um pode baixar foi feito para criar sites, não para aquelas tarefas. Com ele, o acerto caiu um pouco. E o modelo passou a ler até quase cinco vezes mais texto.2627
O guia é uma pasta de arquivos. A pasta segue um formato de uso livre, que mais de setenta programas de IA leem. Você pode guardá-la no seu computador ou num repositório, uma pasta guardada na internet.
Um cuidado. O guia de um livro de outra pessoa traz o método do autor, tirado do livro inteiro. Uma resenha fala do livro, e o guia entrega o método pronto para usar. Por isso fica num lugar só seu.2528
O guia precisa ser achado na hora certa. O modelo de IA vê só o nome e uma linha de cada guia. As lombadas do desenho. Abre o que combina com o problema. Por isso a linha fala como quem tem o problema.
Quanto mais guias, mais o modelo erra a escolha. Com milhares, o FAROL usa um guia de guias, um bibliotecário. Ele casa o problema com a coluna “use quando” do catálogo e abre só um.12517
Para começar hoje, há programas prontos que fazem guias. Os três do desenho: um é da Anthropic, a empresa que faz um desses modelos de IA. Outro é de código aberto, com a receita do programa à vista, para qualquer um ler e mudar. E dele veio o programa do FAROL. O terceiro foi feito para manuais de programas de computador.
Os nomes estão nas lombadas do desenho. Conferir e testar o guia continua com você.29
De onde veioO arquivo principal se chama SKILL.md e fica abaixo de 4 mil tokens. O formato aberto é o Agent Skills, publicado pela Anthropic em outubro de 2025 e doado à Agentic AI Foundation em 22 de outubro de 2026, lido por mais de 70 plataformas, entre elas Claude Code, Codex, Cursor e VS Code. No Claude Code, a pasta fica em ~/.claude/skills/nome/ ou num plugin, em git. O PDF de The Lean Startup deu 123.185 “palavras” contra as 85.419 do livro. O arquivo com o título Against Method era outro livro. Os conversores são o docling e o marker. O livro de Gawande é The Checklist Manifesto, e o resumo com “435 para 277” é de terceiros; o estudo original mediu a taxa de mortes, de 1,5% para 0,8%. O teste com 87 tarefas é o SkillsBench, de fevereiro de 2026: de 33,9% para 50,5% de acerto. O outro é o WebDev-Skills-Bench, de agosto de 2026: 31 guias públicos para criar sites, quatro modelos, acerto de 1,3% a 4,2% menor e custo de 72% a 394% maior. O modelo vê uns 100 tokens por guia. O estudo que mediu a escolha errada de guias é o Demystifying Agent Skills. Os três programas são o skill-creator, da Anthropic, o book-to-skill, de código aberto, de onde veio o scriptorium do FAROL, e o Skill Seekers.172225262728129